Quando a opinião alheia me interessa?
Uma data comemorativa
se aproximando, um mundo de ofertas no ciberespaço, tempo escasso para sair e
escolher um item. Resolvo comprar um tênis de grife para presentear uma pessoa.
O preço está bastante atraente, mas fico insegura, pois não conheço o site. Vou ao Facebook e pergunto se
algum dos meus amigos poderia me dar uma referência. Em dez minutos, cerca de
uma dúzia de facefriends me responde
pronta e sinceramente, avalizando a loja virtual e, às vezes, relatando boas
experiências, como respeito a prazos de entrega e descomplicados procedimentos
de troca. Na metade dos comentários, sinto-me segura o suficiente para ir ao site, que mantive aberto com a minha
opção de compra, dar um clique no comprar, preencher o cadastro, informar número
do cartão de crédito e de parcelas para quitar a dívida, finalizar todo o
processo e, ainda, voltar ao Facebook para ver outras seis opiniões favoráveis
dadas naquele ínterim. Em dois dias, o produto chegou perfeito à porta da minha
casa, fechando o relacionamento com chave de ouro. Pronto: a loja havia
conseguido ganhar a minha confiança e uma cliente leal, além de propaganda
gratuita e diferenciada. O começo de uma grande amizade, lembrando o clássico
Casablanca...
Por que abri o texto
da semana contando essa história real? Para mostrar, de modo prático, que a
opinião dos outros, principalmente em situações semelhantes, interessa sim, e
muito. Hoje, já afirmam alguns estudiosos da área que a Propaganda
contemporânea são as conversas entre amigos nas mídias sociais, e que estas
constituem o futuro das comunicações de Marketing.
As mídias sociais,
sem fronteiras, conectam e integram pessoas, possibilitando a troca de ideias,
experiências e opiniões, além do aspecto puramente lúdico de oferecer a ilusão
de que não se está só. Atomizados na frente de um computador com acesso à
Internet, sentimos que compartilhamos, agimos, mobilizamo-nos, estando tão
perto, mas tão longe.
Blogs, YouTube, Facebook e Twitter, mídias sociais que
disseminam o que pensam seus usuários, colocam-se, hoje, como aliados na
realização dos esforços persuasivos das marcas, que enfrentam consumidores mais
conscientes, desconfiados e poderosos – pois se fazem ouvir facilmente nos
espaços virtuais. Superexpostos a mensagens de Marketing, os consumidores estão
praticamente imunes aos discursos tradicionais dos outdoors, anúncios e filmes publicitários.
Por intermédio dessas
mídias, os consumidores desempenham uma cidadania mais ativa, mais
participativa, além de serem potencialmente ofertantes de feedback útil
às marcas. Os consumidores contemporâneos as percebem como menos tendenciosas
do que as tradicionais ações de Marketing.
Já se afirma que, no
Brasil, as redes sociais são a maior categoria de uso da Internet, depois dos
mecanismos de busca. O Facebook tem sido o grande responsável pelo avanço. Não
se pode negar o poder do compartilhamento, em mídias sociais, das decepções com
as marcas, como aconteceu com a Brastemp, a Arezzo, a Zara, só para citar
algumas poucas.
Mas, para as marcas,
o que implica essa grande transformação do destinatário das comunicações de
Marketing, agora, fortalecido como nunca? Implica uma compulsória evolução sem
precedentes. A empresa que não acompanhar as transformações sociais está
selando o seu destino. Também implica relacionamentos permanentes e horizontais
entre as marcas e seus consumidores.
As empresas, hoje, em
busca da conquista ou manutenção da boa imagem e da boa vontade dos
consumidores (entendida como predisposição favorável), devem se relacionar com
eles com profundidade, em um novo formato one-to-one,
nunca levado tão a sério. As marcas devem, portanto, ouvir atentamente o que
seu consumidor tem a dizer e atendê-lo imediatamente – e de modo impecável –,
por meio das mídias sociais ou por canais tradicionais como os SACs (serviços
de atendimento ao consumidor); devem
envolvê-lo, na medida do possível, em seus processos criativos (de produtos ou
divulgação); devem oferecer soluções
para os problemas sociais, em uma prática efetiva da responsabilidade social.
Elas ainda devem se diferenciar por seus valores; devem demonstrar
consciência e desenvolver ações que promovam o bem-estar, combatam a pobreza e
estejam focadas na sustentabilidade ambiental. Resumindo: seus deveres
aumentaram sobremaneira.
Ser diferente e fazer
a diferença alcançaram um status
único para marcas desejosas de perenidade. As organizações, além de produzir
bens que antecipem desejos, e de colocá-los no mercado a preços competitivos –
oferecendo, ao consumidor, uma experiência satisfatória em todas as etapas do
processo, da comunicação ao pós-venda –, precisam concentrar esforços em um
relacionamento marca-target, que gere lealdade, com foco na dimensão
espiritual do consumidor, na qual residem suas angústias, seus desejos e
sonhos.
Ganhará, portanto, a
marca que, atenta a todos esses detalhes, implemente projetos estratégicos de
comunicação integrada alinhados às novas tendências, e que passe a proporcionar
um significado transcendente aos consumidores. Assim, a base dos diferenciais
das marcas deverá ser seus benefícios psicoespirituais. O foco migrou do
consumidor como mero cliente para as suas questões humanas. Assim, agora, a
pergunta não é mais “como reter o cliente?”, mas “como envolver uma pessoa com
a marca?”. Já parou para pensar no tamanho desse desafio?
(Kátia Keller)